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porUNICEF
fonteUNICEF
a 29 DEZ 2015

UNICEF saúda o fim do surto de Ébola na Guiné-Conacri

Perto de dois anos volvidos sobre o dia em que uma criança pequena se tornou na primeira vítima do Ébola na África Ocidental, a UNICEF acolhe com satisfação a declaração segundo a qual o surto chegou ao fim na Guiné, mas adverte que os milhares de crianças que ficaram órfãs devido à doença, bem como as que sobreviveram à infecção, vão precisar de apoio continuado.

“Embora assinalemos esta ocasião, todos nós devemos lembrar-nos de que as crianças sofreram o forte impacte do Ébola, sendo quem teve mais probabilidades de sucumbir à infecção. Mais de 22.000 crianças perderam um ou ambos os pais na Guiné, Libéria e Serra Leoa. Estão traumatizadas e continuam a ser estigmatizadas na sua vizinhança. Para milhares de raparigas e rapazes, o surto não termina hoje, mas continuará presente ao longo da sua vida. Comprometamo-nos a estar também nós com elas,” afirmou o Dr. Mohamed Ag Ayoya, Representante da UNICEF na Guiné.

Só na Guiné, 6.220 crianças perderam um ou ambos os pais ou quem delas cuidava, ao passo que 230 crianças sobreviveram à infecção e 519 sucumbiram ao Ébola.

A Guiné foi hoje declarada livre da transmissão pela Organização Mundial de Saúde e pelo governo, dado que não foram registados casos nos últimos 42 dias – o dobro do período máximo de incubação. A Serra Leoa alcançou esse marco em Novembro e espera-se que o mesmo aconteça na Libéria em meados de Janeiro.

Um dos maiores desafios que o país tem pela frente é o da reconstrução e reforço dos sistemas de saúde, nos quais o impacte do Ébola foi profundo. Na Guiné, a vacinação das crianças menores de um ano desceu 30 por cento, todas as hospitalizações caíram 54 por cento e os partos assistidos por um profissional com formação adequada sofreram uma diminuição de 11 por cento entre Janeiro e Agosto de 2014, segundo dados oficiais.

“A fragilidade dos sistemas de saúde alimentou o surto nos três países. E actualmente o sistema na Guiné está ainda mais debilitado,” afirmou Ayoya.

A UNICEF respondeu prontamente desde o início do surto, proporcionando bens de primeira necessidade, posicionando mobilizadores sociais para instruir as comunidades, fornecendo água e saneamento, dando apoio aos órfãos e outras crianças afectadas, e assegurando a continuidade da educação para todas as raparigas e todos os rapazes.

A experiência vivida nos três países mais afectados veio demonstrar que, com a preparação adequada, as crianças podem continuar a ir à escola mesmo em plena epidemia.

O surto revelou quão importante é que as comunidades estejam no cerne de toda e qualquer resposta de emergência. A UNICEF e seus parceiros trabalharam no sentido de criar redes de base comunitária para garantir que as próprias pessoas assumissem a liderança da resposta à situação.

Na Guiné, não existia um meio de comunicação de massas que pudesse difundir mensagens que salvam vidas a toda a população em mais de 20 línguas e dialectos. Face a esta lacuna, os boatos e o medo propagaram-se facilmente. Para resolver esta situação, a UNICEF construiu seis novas estações de rádio comunitária e reabilitou outras 23 já existentes. Estas estações de rádio continuam a emitir em línguas locais e a mobilizar as comunidades mediante clubes de rádio e programas com participação dos ouvintes. Em Forecariah, a zona onde o Ébola esteve entrincheirado, a rádio e os seus programas de maior alcance foram um dos principais factores que contribuíram para pôr fim ao surto.

“Com o generoso apoio dos nossos doadores, a UNICEF e os nossos parceiros de implementação vão continuar a reconstruir o sistema de saúde. O longo caminho pela frente exige um acompanhamento sustentado e robusto para assegurar que o Ébola não possa encontrar um porto de abrigo aqui,” afirmou Ayoya.

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