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porUNICEF
fonteUNICEF
a 26 NOV 2015

O número de meninas noivas em África pode mais que duplicar até 2050

Se os níveis actuais persistirem, o número total de meninas noivas em África vai aumentar de 125 milhões para 310 milhões até 2050, segundo um relatório da UNICEF divulgado hoje na Cimeira da União Africana sobre as Raparigas em Lusaka, na Zâmbia.

O relatório estatístico da UNICEF, A Profile of Child Marriage in Africa (Perfil do casamento na infância em África), aponta para taxas de redução lentas, combinadas com um rápido crescimento demográfico, como principais causas do aumento projectado. Em todas as outras regiões do mundo, as actuais taxas de redução e tendências demográficas significam que haverá menos meninas noivas a cada ano. Até 2050, África irá ultrapassar o Sul da Ásia como a região com o número mais elevado de mulheres entre os 20 e os 24 anos de idade que terão casado na infância.

“O casamento na infância gera normas que se têm tornado cada vez mais difíceis de exterminar – normas que subestimam o valor das nossas mulheres,” afirmou a Presidente da Comissão da União Africana, Nkosozana Dlamini Zuma. “Através de uma maior sensibilização, a par de uma abordagem colaborativa, os efeitos nefastos do casamento na infância podem ser erradicados.”

No continente africano, a percentagem de jovens mulheres que casaram na infância baixou de 44 por cento em 1990 para 34 por cento actualmente. Dado que se prevê que a população total de raparigas em África aumente dos 275 milhões actuais para 465 milhões até 2050, são necessárias medidas muito mais ambiciosas – já que mesmo a duplicação da actual taxa de redução de casamentos na infância significaria, ainda assim, um aumento do número de meninas noivas.

Os progressos até agora revelam uma profunda falta de equidade: a probabilidade de uma rapariga proveniente do quinto mais pobre da sociedade vir a casar na infância é tão forte hoje como o era há 25 anos.

Quando as crianças casam, as suas perspectivas de vir a ter uma vida saudável e bem-sucedida diminuem drasticamente, desencadeando muitas vezes um ciclo intergeracional de pobreza. As meninas noivas têm menos probabilidades de terminar a sua escolaridade, mais probabilidades de vir a ser vítimas de violência e de serem infectadas com o VIH. As crianças de mães adolescentes correm um maior risco de vir a ser nados-mortos, de morrer após o parto ou de ter baixo peso à nascença. As meninas noivas muitas vezes não dispõem das competências necessárias para o mundo do emprego.

A União Africana lançou uma campanha à escala continental denominada Fim ao Casamento na Infância (End Child Marriage) no passado mês de Maio. Seguiu-se-lhe um plano de acção para os governos reduzirem as taxas de casamento na infância mediante o aumento do acesso das raparigas ao registo de nascimento, à educação de qualidade e aos serviços de saúde sexual e reproductiva; bem como através do reforço e aplicação das leis e políticas que protegem os direitos das raparigas e proíbem o casamento antes dos 18 anos.

“Por si só, o número de raparigas afectadas – e o que tal significa em termos de infâncias perdidas e futuros estilhaçados – sublinham a urgência de banir a prática do casamento na infância de uma vez por todas," afirmou o Director Executivo da UNICEF, Anthony Lake. "Os dados também revelam claramente que, para acabar com o casamento na infância, é preciso um enfoque muito mais nítido em alcançar as raparigas mais pobres e marginalizadas – aquelas que estão mais carenciadas e correm maiores riscos – através de uma educação de qualidade e de um leque de outros serviços de protecção. A sua vida, e o seu futuro, bem como o futuro das suas comunidades, estão em perigo. Cada menina noiva representa uma tragédia individual. O aumento do seu número é intolerável."
 

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