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porUNICEF
fonteUNICEF
a 16 SET 2015

Relatório OMS/UNICEF: a meta da malária dos ODM foi alcançada com uma descida acentuada do número de casos e da mortalidade, mas três mil milhões de pessoas continuam em risco

As taxas de morte por malária desceram 60 por cento desde 2000, o que se traduziu por 6.2 milhões de vidas poupadas, a maior parte das quais de crianças, segundo um relatório conjunto da OMS e da UNICEF que foi hoje divulgado.

O relatório "Achieving the Malaria Millennium Development Goal Target /Alcançar a meta da malária do Objectivo de Desenvolvimento do Milénio" revela que a meta da  malária do ODM de “reduzir para metade e começar a inverter a incidência” da malária até 2015, foi alcançada de uma “maneira convincente”, com uma descida de 37 por cento dos novos casos de malária em 15 anos.

“O controlo global da malária é uma das maiores histórias de sucesso em matéria de saúde pública nos últimos 15 anos,” afirmou a Drª. Margaret Chan, Directora-Geral da  OMS. “É sinal de que as nossas estratégias estão a resultar, e de que podemos vencer esta antiga causa de morte, que continua a ceifar centenas de milhares de vidas, sobretudo de crianças, a cada ano.”

Um número crescente de países estão na iminência de eliminar a malária. Em 2014, houve 13 países nos quais não se registaram quaisquer casos de malária e em seis países o número de casos registados foi abaixo de dez. As descidas mais rápidas têm sido registadas no Cáucaso e na Ásia Central, onde não se registaram casos em 2014, e na Ásia Oriental.

Caminhada ainda por concluir
Apesar dos enormes progressos alcançados, a malária continua a constituir um problema agudo de saúde pública em muitas regiões. Só em 2015, estima-se que tenham sido registados 214 milhões de novos casos, e aproximadamente 438.000 pessoas morreram devido a esta doença evitável e tratável. Cerca de 3.2 mil milhões de pessoas – perto de metade da população mundial – estão em risco de contrair malária.

Alguns países continuam a ser sobrecarregados com uma percentagem desproporcionadamente elevada do total de casos de malária no mundo. Em quinze países, sobretudo na África subsariana, recaem 80 por cento dos casos de malária no mundo e 78% de mortes no mundo até 2015.

As crianças menores de cinco anos representam mais de dois terços de todas as mortes associadas à malária. Entre 2000 e 2015, taxa de morte por malaria dos menores de cinco anos desceu 65 por cento, o que equivale a dizer que se estima que tenha sido  salva a vida de 5.9 milhões de.

“A malária mata sobretudo as crianças pequenas, em especial aquelas que vivem nos lugares mais pobres e remotos. Assim, a melhor maneira de celebrar os progressos globais no combate contra essa doença é a de renovarmos o nosso compromisso para as alcançarmos e tratarmo-las,” afirmou o Director Executivo da UNICEF, Anthony Lake.  “Sabemos como prevenir e tratar a malária. Dado que podemos, é nosso dever fazê-lo.”

Um aumento do financiamento – mas ainda não é suficiente
O financiamento global bilateral e multilateral para o combate à malária aumentou 20 vezes desde 2000. Os investimentos domésticos nos países afectados pela malária também aumentaram ano após ano.

Vários governos doadores fizeram do combate à malária uma prioridade elevada da saúde global. Nos EUA, a Iniciativa Presidencial para a Malária mobilizou centenas de milhões de dólares para o tratamento e a prevenção, enquanto o governo do reino Unido triplicou o seu financiamento parta o controlo da malária entre 2008 e 2015.

Muitos governos canalizaram os seus investimentos através do Fundo Global para o Combate à SIDA; Tuberculose e Malária ou directamente para os países afectados.

“Um mundo saudável e próspero é do interesse de todos e a prevenção de doenças fatais é um dos investimentos mais inteligentes que possamos fazer,” afirmou Justine Greening, Secretária de Estado do desenvolvimento Internacional do Reino Unido. “Eis porque, trabalhando com países afectados pela malária e parceiros como o Fundo Global, a Grã-Bretanha vai continuar a fornecer redes mosquiteiras a milhões de pessoas e a travar a resistência a medicamentos e insecticidas que salvam vidas, a estimular sistemas de saúde no continente africano para ajudar a pôr fim a esta terrível doença.”

O aumento de financiamento levou a uma expansão sem precedentes das intervenções cruciais levadas a cabo na África subsariana. Desde 2000, aproximadamente mil milhões de redes mosquiteiras impregnadas de insecticida (ITNs) foram distribuídos em África. A crescente utilização de testes de diagnóstico rápido (RDTs) tornou mais fácil distinguir entre febres maláricas e não-maláricas, permitindo o tratamento atempado e apropriado. As terapias de combinação com base no Artemisinin (ACTs) são altamente eficazes contra o Plasmodium falciparum, o parasita letal que afecta com mais prevalência os humanos, mas a resistência aos medicamentos é uma ameaça que deve ser prevenida.

Nova investigação demonstra o impacte das intervenções cruciais
Uma nova investigação do Malaria Atlas Project – um Centro Colaborativo da OMS sedeado na Universidade de Oxford – revela que as ITNs têm sido de “longe a mais importante intervenção” em África, responsável por 68 por cento de casos de malária evitados, segundo estimativas, desde 2000. As ACTs e pulverização al doméstica contribuíram para 22 por cento e 10 por cento de casos evitados, respectivamente. A investigação, publicada ontem no jornal científico Nature, vem dar um forte apoio ao incremento do acesso a essas intervenções cruciais nas estratégias de contr9lo da malária pós-2015.

O caminho a seguir
Em Maio de 2015, a Assembleia Mundial de saúde adoptou athe World Health Assembly adopted the WHO Global Technical Strategy for Malaria (A estratégia técnica global da OMS para a malária)— um novo roteiro para o controlo da malária para os próximos 15 anos. A estratégia visa uma ulterior redução de 90 por cento na incidência e na mortalidade globais da malária até 2030.

O relatório da OMS-UNICEF refere que essas metas só podem ser alcançadas com vontade política, liderança nacional e investimento significativamente superior. O financiamento anual para a malária vai precisar de ser triplicado — dos 2.7 mil milhões actuais para 8.7 mil milhões em 2030.

Outras conclusões-chave do relatório:
Em 2015, os 89 por cento de todos os casos de malária e 91 por cento das mortes  registaram-se na África subsariana.

  • Dos 106 países e territórios com transmissão de malária em 2000, serão 102 aqueles nos quais se projecta a inversão da incidência da malária até ao fim de 2015.
  • Entre 2000 e 2015, a proporção de crianças menores de cinco anos que dormem sob uma ITN na África subsariana aumentou de menos de 2 por cento para uns estimados 68 por cento.
  • Uma em cada quarto crianças na África subsariana ainda vive numa casa onde não existem ITN nem dispõe da protecção proporcionada pela pulverização residual doméstica.

Em 2015, apenas uns estimados 13 por cento de crianças com febre na África subsariana receberam uma ACT.
 

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