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porCésar Neto
fonteIMVF
a 18 AGO 2015

Museu Mundial: uma forma diferente de comunicar os ODM*

Permitam-me começar este artigo como uma nota pessoal: 5 anos de experiência no sector do Desenvolvimento e mais de uma década de estudo, ensino e trabalho na área da comunicação dão-me liberdade para afirmar que ainda há muito a fazer na comunicação neste sector e que um dos maiores desafios que as organizações enfrentam actualmente assenta nas seguintes questões: “Como comunicar a nossa organização? Como comunicar o que fazemos? Como comunicar as temáticas que trabalhamos?”.

Como é óbvio, não existe uma resposta universal para as questões acima enumeradas, mas as ONGD começam a compreender que urge uma maior aproximação aos públicos de comunicação das organizações, que muitas vezes não são os mesmos públicos da actividade das organizações. 

Podia explorar alguns exemplos de casos de sucesso de comunicação que tiveram resultados positivos, ou seja, que tiveram impacto ao nível da informação, atitudes e mesmo comportamentos dos públicos a que se dirigiram, desde projectos organizados pela própria Plataforma Portuguesa das ONGD, onde desempenho funções na área da comunicação, ou diversas campanhas de ONGD nacionais e internacionais, mas convidaram-me a pensar sobre o projecto Museu Mundial.

O Projecto Museu Mundial

O Museu Mundial é um projecto europeu que, em Portugal, assenta numa parceria multi-actores entre o Instituto Marquês de Valle de Flôr (IMVF), a Câmara Municipal de Loures e a Escola Superior de Educação e Ciências Sociais do Instituto Politécnico de Leiria, sendo cofinanciado pela União Europeia e apoiado pelo Camões - Instituto da Cooperação e da Língua.

O projecto visa comunicar os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM) e a nova Agenda de Desenvolvimento utilizando como “intermediário” um Museu, o que marca a diferença na comunicação comummente realizada pelas ONGD.

A comunicação assenta em instalações e actividades pedagógicas no Museu Municipal de Loures - Quinta do Conventinho. Neste momento, é já possível visitar no Museu 10 instalações  que abordam as seguintes temáticas: luta contra a pobreza e fome; acesso á água e ao alimento; igualdade de género acesso universal à educação; redução da mortalidade infantil; luta contra as doenças; promoção da saúde materna e comércio justo, e procuram alertar os visitantes para alguns dos principais desafios mundiais.

Uma forma diferente de comunicar os ODM?

Apesar de não ser possível aferir ainda qual o real impacto deste projecto, nomeadamente se aumentou o conhecimento e alterou ou não as atitudes e comportamentos dos visitantes do Museu, é de louvar todos os projectos de comunicação de ONGD que visam alcançar novos públicos, através de acções que marcam pela diferença.

E este é um projecto que marca a diferença por se dirigir aos visitantes do museu, que em Portugal são na sua larga maioria escolas; por apostar numa comunicação pouco intrusiva, havendo um cuidado em interligar as instalações com as exposições permanentes do Museu; e por permitir também a criação de uma relação de maior proximidade e interacção com os visitantes, uma vez que ao contrário do que costuma acontecer nos Museus, os visitantes podem interagir com as instalações, por exemplo, podem tocar no xilofone presente na instalação sobre Água e Saneamento.

Importa que, tal como acontece neste projecto, no futuro cada vez mais as ONGD apostem em campanhas de comunicação adaptadas aos públicos com quem decidem trabalhar e centradas nos objectivos que pretendem alcançar, ou seja, que exista uma aposta concreta numa comunicação estratégica.

Pode aceder a mais informação sobre este projecto aqui.

 

* Artigo de Opinião escrito por César Neto, Responsável de Comunicação da Plataforma Portuguesa das ONGD, a convite do IMVF.

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