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porONU
fonteONU
a 06 JUL 2015

Sucesso dos ODM é ponto de partida para nova agenda de desenvolvimento sustentável

Os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM) produziram o movimento anti-pobreza mais bem sucedido da História e servirão de ponto de partida para a nova agenda de desenvolvimento sustentável a ser adoptada este ano, de acordo com o último relatório dos ODM lançado, a 6 de Julho, pelo Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon.

O Relatório dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio 2015 concluiu que o esforço de 15 anos para alcançar oito metas ambiciosas estabelecidas pela Declaração do Milénio, em 2000, teve um grande sucesso em todo o planeta, mas que há falhas a corrigir. Os dados e a análise apresentados no relatório demonstram que, com intervenções focadas, estratégias sólidas, recursos adequados e vontade política, até os mais pobres conseguem fazer progressos.

“No seguimento de ganhos profundos e consistentes, agora sabemos que a pobreza extrema pode ser erradicada dentro de uma geração”, disse Ban Ki-moon. “Os ODM contribuíram bastante para este progresso e ensinaram-nos como os governos, o mundo dos negócios e a sociedade civil podem trabalhar juntos para alcançar avanços extraordinários”.

Objetivos e Metas resultam

O relatório ODM confirma que a definição de objectivos pode retirar milhões de pessoas da pobreza, empoderar as mulheres e meninas, melhorar a saúde e bem-estar e providenciar novas oportunidades para melhores condições de vida.

Apenas há duas décadas, quase metade da população dos países em desenvolvimento vivia em pobreza extrema. O número de pessoas actualmente a viverem nessa condição baixou mais de 50%, passando de 1,9 mil milhões, em 1990, para 836 milhões, em 2015.

O mundo também testemunhou uma melhoria dramática na igualde de género nas escolas desde a criação dos ODM, sendo que a paridade de género nas escolas primárias foi alcançada na maioria dos países.

Mais meninas encontram-se agora nas escolas e as mulheres ganharam maior presença na representação parlamentar nos últimos 20 anos, em quase 90 por cento dos 174 países com dados disponíveis. A proporção média de mulheres nos parlamentos quase duplicou no mesmo período.

A taxa de crianças que morriam antes fazerem cinco anos caiu mais de metade, de 90 para 43 mortes por 1000 nascimentos, desde 1990. O rácio de mortalidade materna apresenta um declínio de 45 por cento em todo o mundo, com a maioria das reduções a ocorrerem desde 2000.

Investimentos focados no combate a doenças como o HIV/SIDA e a malária trouxeram resultados sem precedentes. Cerca de 6,2 milhões de mortes devido a malária foram evitadas entre 2000 e 2015, enquanto que a prevenção, diagnóstico e intervenções de tratamento da tuberculose salvaram cerca de 37 milhões de vidas, entre 2000 e 2013.

Em todo o mundo, 2,1 mil milhões de pessoas ganharam acesso a um melhor saneamento e a proporção de pessoas a praticarem defecação ao ar livre caiu mais de metade, desde 1990.  A Ajuda Pública ao Desenvolvimento por parte de países desenvolvidos aumentou 66 por cento entre 2000 e 2014, chegando a 135,2 mil milhões de dólares.

 

Desigualdades persistem

O relatório sublinhou que ganhos significativos foram alcançados para muitas das metas dos ODM em todo o mundo, mas o progresso foi desigual entre regiões e países, deixando lacunas significativas. Os conflitos permanecem a maior ameaça ao desenvolvimento humano, com países frágeis e afectados por conflitos a terem as maiores taxas de pobreza.

A desigualdade de género persiste apesar de haver maior representação das mulheres nos parlamentos e mais meninas a frequentarem a escola. As mulheres continuam a enfrentar discriminação no acesso ao trabalho, bens económicos e participação em processo de tomada de decisão públicos e privados.

Não obstante o enorme progresso alcançado pelos ODM, cerca de 800 milhões de pessoas ainda vivem em pobreza extrema e são vítimas da fome. Crianças dos 20% de agregados familiares mais pobres têm mais do que o dobro de probabilidades de terem um crescimento atrofiado do que as 20% mais ricas, tal como têm quatro vezes mais probabilidades de não frequentarem a escola. Nos países afectados pelos conflitos, a proporção de crianças que não frequentam a escola aumentou de 30 por cento em 1999 para 36 por cento em 2012.

No contexto do meio ambiente, as emissões globais de dióxido de carbono aumentaram cerca de 50 por cento desde 1990 e a escassez de água afecta agora 40 por cento da população mundial, sendo que este número irá tendencionalmente crescer.

Os líderes mundiais que vão discutir a nova agenda de desenvolvimento sustentável devem aprovar uma agenda ambiciosa e de longo-prazo para suceder aos ODM. Pegando no impulso e sucesso dos ODM, novas metas globais serão concebidas com ambição para combater as desigualdades, promover o crescimento económico, empregos decentes, sustentabilidade no urbanismo, industrialização, energias, combate às alterações climáticas, promoção de um ciclo de consumo e produção e, ainda, paz e justiça.

“A agenda de desenvolvimento pós-2015 emergente, incluindo o conjunto de Objectivos de Desenvolvimento Sustentável, visa fomentar os sucessos obtidos e colocar todos os países num caminho firme para um mundo mais próspero, sustentável e igualitário”, concluiu Ban Ki-moon.

Consulte o relatório aqui.

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