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porUNICEF
fonteUNICEF
a 30 JUN 2015

Falta de saneamento para 2.4 mil milhões de pessoas compromete melhorias na saúde

A falta de progressos no saneamento ameaça comprometer os benefícios em matéria de sobrevivência e saúde infantis decorrentes dos ganhos alcançados no acesso a água segura para beber, advertem a OMS e a UNICEF num relatório que faz o levantamento do acesso a água potável e saneamento face aos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio.

O relatório do programa de Monitorização Conjunta, intitulado Progress on Sanitation and Drinking Water: 2015 Update and MDG Assessment (Progressos no saneamento e na água potável: actualização e avaliação dos ODM em 2015) revela que, no mundo, uma em cada três pessoas, ou seja 2.4 mil milhões, continuam a não ter acesso a instalações sanitárias – incluindo 946 milhões de pessoas que defecam ao ar livre.

“O que os dados realmente revelam é a necessidade de fazer um enfoque nas desigualdades enquanto única maneira de realizar um progresso sustentável,” afirmou Sanjay Wijesekera, responsável dos programas globais de água, saneamento e higiene da UNICEF. “Até agora, o modelo global que se tem verificado até agora é o de que os mais ricos são os primeiros a aceder ao patamar acima, e só quando aqueles têm acesso é que os mais pobres começam a ficar mais perto de o alcançar também. Se queremos alcançar o acesso universal ao saneamento até 2030, precisamos de assegurar que os mais pobres comecem neste momento a fazer progressos nesse sentido.”

O acesso a fontes melhoradas de água para beber tem sido uma importante realização para vários países e para a comunidade internacional. Dado que cerca de 2.6 mil milhões de pessoas passaram a ter acesso desde 1990, agora 91 por cento da população mundial tem acesso a água para beber melhorada – e este número continua a aumentar. Na África Subsariana, por exemplo, 427 milhões de pessoas passaram a ter acesso – uma média de 47.000 pessoas por dia, todos os dias durante 25 anos.

Os ganhos em termos de sobrevivência infantil têm sido substanciais. Hoje em dia, menos de mil crianças menores de cinco anos morrem por dia devido à diarreia causada por água, saneamento e higiene inadequadas, comparativamente às mais de duas mil mortes que se registavam há 15 anos.

Por outro lado, os progressos em matéria de saneamento foram dificultados por investimentos inadequados em campanhas para promover mudanças de comportamentos, falta de produtos a preços que sejam acessíveis às comunidades pobres, e normas sociais que aceitam ou até encorajam a defecação ao ar livre. Embora cerca de 2.1 mil milhões de pessoas tenham passado a ter acesso a saneamento melhorado desde 1990, o mundo falhou a meta ODM em perto de 700 milhões de pessoas. Actualmente, apenas 68 por cento da população mundial usa instalações sanitárias melhoradas – 9 pontos percentuais abaixo da meta ODM de 77 por cento.

“Até que toda a gente tenha acesso a instalações sanitárias adequadas, a qualidade do abastecimento de água estará comprometida e muitas pessoas continuarão a morrer devido a doenças com origem na água ou relacionadas com a água,” afirmou a Dr.ª Maria Neira, Directora do Departamento de Saúde Pública, Determinantes Ambientais e Sociais da Saúde da OMS.

O acesso a água, saneamento e higiene adequados é crucial na prevenção e tratamento de 16 das 17 ‘doenças tropicais negligenciadas’ (neglected tropical diseases - NTD), incluindo tracoma, helmintos transmitidos pelo solo (parasitas intestinais) e esquistossomíase. As NTD afectam mais de 1.5 mil milhões de pessoas em 149 países, podendo provocar cegueira, desfigurar, causar invalidez permanente e morte.

A prática da defecação ao ar livre está também relacionada com um risco mais elevado de atraso de crescimento – ou malnutrição crónica – que afecta 161 milhões de crianças no mundo, as quais ficam com danos físicos e cognitivos irreversíveis.

“Para beneficiar a saúde humana é vital acelerar mais os progressos em matéria de saneamento, em particular nas zonas rurais e menos atendidas,” acrescentou a Dr.ª Neira.

É nas zonas rurais que vivem sete de cada dez pessoas sem acesso a saneamento melhorado e nove de cada dez que defecam ao ar livre. 

Os planos para os novos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável, que serão definidos pela Assembleia-geral das Nações Unidas em Setembro de 2015, incluem como meta a eliminação da defecação ao ar livre até 2030. O que implicaria duplicar as actuais taxas de redução, especialmente no Sul da Ásia e na África Subsariana, afirmaram a OMS e a UNICEF.

A OMS e a UNICEF afirmam que é de vital importância aprender com os progressos desiguais do período 1990-2015 para garantir que os SDG acabem com os fossos de desigualdade e alcancem o acesso universal à água e ao saneamento. Para tal, o mundo precisa de:

  • Dados desagregados para poder assinalar as populações e zonas que se distinguem das médias nacionais;
  • Um enfoque robusto e intencional nos mais difíceis de alcançar, em particular nas comunidades pobres das zonas rurais;
  • Tecnologias e abordagens inovadoras para levar soluções de saneamento sustentáveis às comunidades pobres a preços comportáveis;
  • Maior atenção ao melhoramento das práticas de higiene nas famílias, nas escolas e centros de prestação de cuidados de saúde.

 

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