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porUNICEF
fonteUNICEF
a 23 JUN 2015

Relatório sobre ODM: Milhões de crianças "esquecidas" apesar dos progressos globais

A comunidade global irá falhar a milhões de crianças se, no seu novo roteiro de desenvolvimento para os próximos 15 anos, não se concentrar nas mais desfavorecidas, alertou hoje a UNICEF.

Progress for Children: Beyond Averages (Progressos para as Crianças, Para Além das Médias), o relatório final da UNICEF sobre os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio relacionados com as crianças, afirma que, apesar de conquistas significativas, a desigualdade de oportunidades deixou milhões de crianças a viver na pobreza, a morrer antes de completar os cinco anos de vida, a sofrer de malnutrição crónica e sem ir à escola. 

“Os ODM ajudaram o mundo a realizar enormes progressos para as crianças – mas também nos mostraram quantas crianças estamos a deixar para trás,” afirmou o Director Executivo da UNICEF, Anthony Lake. “A vida e o futuro das crianças mais desfavorecidas importa – não só em nome delas, como em nome das suas famílias, comunidades e sociedades.”

As disparidades no interior dos países deixaram as crianças das famílias mais pobres com o dobro de probabilidades de morrer antes de completarem os cinco anos de vida e com muito menos probabilidades de alcançar padrões mínimos de leitura que as crianças das famílias mais ricas. 

Continuarmos a não chegar a estas crianças pode ter consequências dramáticas. A manterem-se as actuais taxas de progresso, tendo em conta a projecção do crescimento demográfico, estima-se que:

  • Mais 68 milhões de crianças menores de cinco anos vão morrer de causas evitáveis em 2030;
  • 119 milhões de crianças sofrerão de malnutrição crónica em 2030;
  • 500.000 pessoas ainda terão de defecar ao ar livre, uma prática que comporta riscos sérios para a saúde das crianças em 2030;
  • Serão precisos perto de 100 anos para que todas as raparigas das famílias mais pobres da África Subsariana possam completar o primeiro ciclo do ensino secundário;

O relatório realça que se registaram sucessos notáveis desde 1990:

  • A mortalidade de menores de cinco anos baixou mais de metade, de 90 por 1.000 nados vivos para 43 por 1.000 nados vivos;
  • A insuficiência ponderal e a malnutrição crónica em crianças menores de cinco anos diminuiu em 42 por cento e 41 por cento, respectivamente;
  • A mortalidade materna baixou em 45 por cento;
  • Cerca de 2.6 mil milhões de pessoas passaram a ter acesso a fontes melhoradas de água para beber. 

E o fosso entre os mais pobres e os mais ricos está a estreitar-se em mais de metade dos indicadores analisados pela UNICEF:

  • Em muitos países, verificam-se mais avanços em termos de sobrevivência infantil e frequência escolar nas famílias mais pobres.
  • O fosso existente nas taxas de mortalidade materna entre os países de baixo e alto rendimento foi reduzido para metade entre 1990 e 2013, de 38 vezes maior para 19 vezes maior.

O relatório também destaca as más notícias: os progressos continuam a frustrar os perto de seis milhões de crianças que morrem por ano antes de completar o quinto ano de vida, as 289.000 mulheres que morrem por ano durante o parto e os 58 milhões de crianças que não vão à escola.

Quando os líderes mundiais se preparam para adoptar os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável, as crianças mais desfavorecidas deveriam estar no cerne dos novos objectivos e metas, afirmou a UNICEF. Uma melhor recolha e desagregação de dados – indo para além das médias tais como as que foram usadas para medir os ODM – pode ajudar a identificar quais são as crianças mais vulneráveis e excluídas assim como saber onde vivem. Sistemas mais fortes de saúde local, educação e protecção social podem ajudar mais crianças a sobreviver e desenvolver-se. E investimentos mais pensados em função das necessidades das crianças mais vulneráveis podem produzir benefícios a curto e longo prazo.

“Os ODS representam uma oportunidade de aplicar as lições que aprendemos e chegar às crianças que têm maiores carências – e se não o fizermos, será um motivo de vergonha para nós,” afirmou Lake, “Porque oportunidades mais equitativas para as crianças de hoje significa menos desigualdade e mais progresso global amanhã.”
 

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