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porUNICEF
fonteUNICEF
a 12 FEV 2015

Conflitos cada vez mais brutais e intensos deixam as crianças expostas a um risco cada vez maior de recrutamento

As crianças estão cada vez mais vulneráveis ao recrutamento e à sua utilização por grupos armados, à medida que os conflitos se tornam cada vez mais brutais, intensos e generalizados em todo o mundo, afirmaram hoje a UNICEF e a Representante Especial da ONU para as Crianças e Conflitos Armados, no dia em que se assinala o Dia Internacional Contra a Utilização de Crianças-Soldados.

“Apesar dos governos do mundo terem conseguido fazer progressos para reconhecer que as crianças não têm lugar nos seus exércitos, o recrutamento de crianças-soldados continua a ser um problema grave, especialmente entre os grupos armados,” disse Leila Zerrougui, Representante Especial do Secretário-Geral para as Crianças e Conflitos Armados. “Das 59 partes envolvidas em conflito que o Secretário-Geral identificou por violações graves contra crianças, 57 estão indicadas por estarem a recrutar e a utilizar crianças-soldados.”

A UNICEF e o Gabinete da Representante Especial apelam para que se adoptem medidas urgentes para pôr fim às violações graves contra as crianças, incluindo o seu recrutamento e utilização por grupos armados. As partes em conflito devem cumprir as suas obrigações à luz do Direito Internacional.

“A libertação de todas as crianças por parte dos grupos armados deve ser levada a cabo sem demora. Não podemos esperar que haja paz para podermos ajudar as crianças presas no meio da guerra”, disse Yoka Brandt, Directora Adjunta da UNICEF. “Investir em formas de manter as crianças longe das linhas da frente, nomeadamente através da educação e do apoio económico, é absolutamente fundamental para o seu futuro e o futuro das suas sociedades.”

Dezenas de milhares de rapazes e raparigas estão associados a forças e grupos armados em conflitos em mais de 20 países em todo o mundo. Muitos foram vítimas ou testemunhas de actos de uma brutalidade indescritível, ou foram eles próprios obrigados a participar nesses actos.

No Afeganistão, apesar dos progressos alcançados para pôr fim ao recrutamento e utilização de crianças nas forças de segurança nacionais, há crianças que continuam a ser recrutadas por outras partes envolvidas em conflito, como a Rede Haggani e os talibãs. Nos casos mais graves, as crianças continuam a ser usadas como bombistas suicidas, para fabricar armas ou transportar explosivos.

Na República Centro-Africana, rapazes e raparigas, alguns com apenas 8 anos, foram recrutados e utilizados por todas as partes directamente envolvidas em actos de violência entre etnias e religiosa.

Na República Democrática do Congo, as Nações Unidas documentaram novos casos de recrutamento de crianças por vários grupos armados que operam na zona oriental do país. As crianças, algumas das quais com apenas 10 anos, foram recrutadas e utilizadas como combatentes ou em funções de apoio como carregadores ou cozinheiros. Segundo relatos, há raparigas que estão a ser usadas como escravas sexuais ou foram vítimas de outras formas de violência sexual.

No Iraque e na Síria, os avanços do ISIS e a proliferação de grupos armados contribuíram para que as crianças estejam ainda mais vulneráveis ao recrutamento. Crianças, algumas só com 12 anos, estão a ser submetidas a treino militar e têm sido usadas como informantes ou em patrulhas, em postos de controlo ou para guardar pontos estratégicos. Em alguns casos, foram utilizadas como bombistas suicidas ou para levar a cabo execuções.

A UNICEF trabalha com os seus parceiros para apoiar crianças após a sua libertação pelos grupos armados, nomeadamente na reunificação com as suas famílias; proporcionando-lhes serviços de saúde, necessidades básicas e apoio psicológico; e no acesso a programas de educação e formação.

Recentemente teve início a libertação gradual de aproximadamente 3.000 crianças por parte da Facção Cobra do Exército Democrático do Sudão do Sul. Mais de 500 crianças foram libertadas nas últimas semanas e estão a receber apoio para regressar à vida civil. Novas libertações estão agendadas para o próximo mês.

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